Além das Fronteiras: Como Bancos e Fintechs Podem Se Modernizar, Cumprir Normas e Competir — Sem Perder o Rumo

Jan 28, 2026
Autor: David Schwartz, President & CEO, FIBA
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Há anos venho repetindo a mesma mensagem aos banqueiros: inove ou morra. O que começou como um aviso provocador tornou-se a realidade bancária de hoje.

 

O cenário de parcerias banco-fintech deixou de ser teoria e virou imperativo de sobrevivência. Na mesa-redonda de maio da FIBA em Miami, profissionais compartilharam o que realmente funciona ao modernizar pagamentos transfronteiriços enquanto lidam com restrições do mundo real. 

A realidade: provedores não tradicionais capturaram até 65% do valor de P2P internacional em algumas regiões em 2024. Enquanto isso, os relacionamentos de banco correspondente caíram 20% entre 2011 e 2018. 

Tradução: os bancos estão recuando bem quando os clientes precisam de mais conectividade. Os 62% dos bancos que fazem parceria com fintechs no transfronteiriço não estão seguindo uma moda — estão lutando para manter clientes. 

 


 

Três Verdades Difíceis Emergiram

Você pode terceirizar plataformas, não o risco

Os reguladores são claros: sua carta (charter), sua responsabilidade. A taxa de fracasso de 40% em parcerias vem de problemas de alinhamento, não de tecnologia. Solução: escolha parceiros que entendam que fazem parte do seu ambiente de controle, não fornecedores. 

 

Pare de culpar o core

Com 80% das substituições de core enfrentando desafios significativos, o dinheiro inteligente constrói camadas de API para conectar capacidades modernas a cores estáveis. O mercado de gestão de API, a caminho de US$ 8 a 16 bilhões até 2028, mostra para onde o setor está indo. 

 

Conformidade impulsiona vantagem competitiva

Pesquisas do Federal Reserve mostram que bancos em parceria com fintechs estenderam mais crédito a consumidores mal atendidos sem aumentar o risco de inadimplência. Isso não é conformidade como centro de custo — é conformidade como motor de crescimento. Abordagens de Know Your Client's Customer reduzem falsos positivos e criam trilhas de auditoria mais limpas. 

 


 

O Teste de Realidade da IA A IA ajuda, mas governança é pré-requisito básico. Use o framework do NIST. Construa checklists de controle simples. Se os fornecedores não conseguem explicar sua governança de IA, desista. 

Resumo O sucesso exige combinar a infraestrutura de confiança do banking com a velocidade e a inovação da fintech. Apenas 14% dos bancos geram receita significativa com novos produtos de parceria, enquanto 37% veem ganhos operacionais. Essa lacuna é sua oportunidade de ganho. No transfronteiriço, o banco que consegue atender com segurança o maior número de corredores vence. Escolha parceiros com sabedoria, construa tecido conectivo, faça da conformidade seu diferencial. 

 

A realidade: inove ou torne-se irrelevante.

 


 

Do Aviso à Realidade

Há anos venho repetindo a mesma mensagem aos banqueiros: inove ou morra. O que começou como um aviso provocador tornou-se a realidade bancária de hoje. Em nossa mesa-redonda da FIBA em Miami, reunimos banqueiros, líderes fintech e profissionais de risco para discutir como é, na prática, a modernização quando ainda existem exames a passar, clientes a atender e orçamentos a cumprir. Os painelistas não eram teóricos discursando sobre o futuro do banking; são profissionais lidando com clientes reais que esperam que seu dinheiro se mova tão rápido quanto suas mensagens de texto. Abaixo estão os principais pontos dessa discussão — em linguagem simples, com ações práticas e foco em resultados em vez de jargões.  

 

O Raio-X da Realidade Transfronteiriça

Sejamos honestos sobre onde estamos. Muitos pagamentos transfronteiriços ainda levam dias e podem custar até 10 vezes mais que uma transferência doméstica. Isso não é apenas tecnologia — é estrutura. O banking correspondente não mudou muito em décadas. 

 


 

A McKinsey estima que, em 2024, provedores não tradicionais capturaram até 65% do valor de P2P internacional em algumas regiões. Isso não é um erro de arredondamento; é um problema de estratégia. (McKinsey & Company). Ainda assim, o número de relacionamentos ativos de banco correspondente globalmente caiu 20% entre 2011 e 2018. Os bancos estão recuando das relações correspondentes justamente quando o mundo precisa de mais conectividade, não de menos. Isso cria uma oportunidade enorme para quem estiver disposto a pensar de forma diferente. 

 

Um relatório recente da PYMNTS (Two-Thirds of Banks Team With FinTechs on Cross-Border Payments) constatou que 62% dos bancos trabalham ativamente com fintechs em pagamentos transfronteiriços — não porque é moda, mas porque precisam. A alternativa é ver seus clientes irem embora. 

 

No âmbito das políticas públicas, o setor oficial — G20, bancos centrais e órgãos como o BIS/CPMI e o FSB — está pressionando fortemente para tornar o transfronteiriço mais rápido, mais barato e mais transparente até 2027. Esses ventos favoráveis vão recompensar os bancos que modernizarem a experiência do cliente e o pipeline de conformidade — não apenas os que redesenharem seus mapas de corredores. (Financial Stability Board, Bank for International Settlements, Banco Central Europeu)  

 

A cartilha é direta: escolha parceiros que ofereçam profundidade em corredores e profundidade em conformidade. O preço importa, mas liquidação previsível, linhagem de dados limpa, controles robustos de sanções e trilhas de auditoria prontas para exame são o que sustenta os relacionamentos. Seja dono da experiência do cliente com uma interface mais simples; alugue os trilhos especializados onde fizer sentido. 

Durante nossa mesa-redonda, identificamos três áreas críticas onde parcerias banco-fintech podem transformar esse cenário. Mas aqui está o ponto — nada disso funciona sem enfrentar algumas verdades difíceis. 


Verdade 1

Você Pode Terceirizar a Plataforma, Não o Risco

Um painelista resumiu perfeitamente: “Você pode terceirizar a plataforma, mas não o risco.”

 

Os reguladores americanos têm sido cristalinos: você pode terceirizar uma capacidade, não a responsabilidade. Se seu nome está na carta (charter), seu nome está em jogo. As diretrizes interagências de 2023 do Fed, FDIC e OCC estabelecem a abordagem de ciclo de vida — planejamento, due diligence, estruturação de contratos, supervisão contínua — que conselhos e examinadores agora esperam ver. (Federal Reserve, FDIC, OCC.gov) Os bancos que têm sucesso não são os que procuram fornecedores para transferir problemas. São os que constroem alianças estratégicas genuínas. Cerca de 40% das parcerias banco-fintech falham em se tornar operacionais, muitas vezes por má gestão de alinhamento entre estratégia e execução. Isso não é um problema de fintech nem de banco — é um problema de alinhamento. O que fazer a seguir: use o arcabouço regulatório como filtro de seleção de parceiros. As melhores fintechs que vemos chegam com relatórios SOC limpos, termos claros de propriedade de dados, playbooks de resposta e uma postura de “fazemos parte do seu ambiente de controle”, não de “somos apenas um fornecedor”. 

 

Isso não é apenas jargão regulatório — é a realidade fundamental que todo banqueiro precisa internalizar. Em 2024, vários bancos parceiros reconsideraram ou encerraram suas parcerias por questões regulatórias. Os principais motivos variaram de due diligence insuficiente e gestão ineficaz de relacionamentos com terceiros, à falta de acordos comerciais robustos e supervisão contínua. 

 


 

Verdade 2

Pare de Culpar o Core. Comece a Construir a Camada Que Permite Você se Mover

 

Os sistemas core fazem o trabalho para o qual foram projetados. Substituí-los por completo é caro, arriscado e — com muita frequência — malsucedido. Estimativas do setor sugerem que até 80% dos esforços de transformação de core bancário enfrentam desafios significativos ou não atingem os objetivos iniciais, frequentemente resultando em estouro de custos ou atrasos de projeto. Não é difícil entender por que trocar o motor em pleno voo raramente termina bem. 

 

A jogada mais inteligente é adicionar uma camada de integração (APIs e governança) que permite integrar perfeitamente capacidades modernas enquanto seu core continua fazendo a contabilidade. 

 

Pesquisas projetam que o mercado de gestão de API pode chegar a US$ 8 a 16 bilhões até 2028, à medida que a conectividade digital se torna central nas estratégias de modernização. (McKinsey & Company). Isso não é teoria. Muitos bancos estão conectando onboarding, verificações de KYC/KYCC, ferramentas antifraude, sistemas de pagamento transfronteiriço e gestão de casos por meio dessa camada — para poder trocar componentes sem religar o avião inteiro a cada vez. É mais rápido para chegar ao mercado, e mais gentil com seu apetite a risco. O que fazer a seguir: trate as APIs como produtos. Dê a elas donos, SLAs, versionamento e um backlog. Decida o que você vai construir (experiência do cliente, políticas de risco) e o que vai comprar (trilhos especializados, analytics). Documente o “plano de saída” para cada parceiro, caso precise trocar. 

 


 

Se a conformidade só aparece como “centro de custo”, você está deixando dinheiro na mesa.

 

Ouvimos forte apoio para migrar de um KYC de checklist para due diligence em nível de transação — o que muitos chamam de KYCC (Know Your Client's Customer). Em áreas de risco mais alto, como o transfronteiriço, entender as partes e finalidades a jusante reduz falsos positivos, acelera decisões e produz trilhas de exame mais limpas. Isso é vantagem competitiva, não fardo. Uma pesquisa do Federal Reserve de junho de 2025 constatou que bancos em parceria com fintechs estenderam mais crédito a consumidores mal atendidos sem piorar o risco de inadimplência, demonstrando como parcerias tecnológicas podem impulsionar um crescimento saudável. Esse é o tipo de ganho mútuo que os reguladores querem ver — acesso ampliado sem comprometer segurança e solidez. (Fintech Innovations in Banking Fintech Partnership and Default Rate on Bank Loans) Considere isto: as vantagens da conformidade não são mais apenas sobre resiliência. São sobre velocidade de entrada no mercado e confiança reputacional. O investimento em tecnologia de conformidade se tornou uma tendência regulatória de 2025, com bancos que se destacam nessa área ganhando tanto a confiança do cliente quanto a confiança regulatória. Isso está alinhado às expectativas de supervisão de que instituições financeiras não podem diluir padrões quando terceiros estão envolvidos — e que a gestão de risco precisa ser contínua, orientada por dados e documentada. Quando seu programa consegue explicar “por que essa transação está correta” com evidências, não anedotas, você ganha tanto com clientes quanto com reguladores. (Federal Reserve, FDIC) 

 

O que fazer a seguir: trate a conformidade como um pilar de produto. Publique SLAs para onboarding e monitoramento. Instrumente o processo para explicabilidade — o que foi revisado, o que foi sinalizado, e quem tomou a decisão. Transforme procedimentos em dashboards que suas equipes usam. 


O Caminho a Seguir

Com base em nossa discussão e no que estou vendo no mercado, aqui está o que realmente parece funcionar.

 

Para Bancos

  • Pare de procurar fornecedores e comece a procurar parceiros. Se uma fintech não entende sua realidade regulatória, siga em frente. 

  • Invista em APIs, não em apostas arriscadas. Você precisa conectar o que já tem, não substituir tudo. 

  • Faça da conformidade seu diferencial. No transfronteiriço, o banco que consegue atender com segurança o maior número de corredores vence. 

 

Para Fintechs

  • Ouça antes de apresentar seu pitch. Todo banqueiro já ouviu falar da sua plataforma revolucionária. O que eles não ouviram é como você vai ajudá-los a resolver o problema específico deles. 

  • Venha preparado com documentação. Protocolos de segurança, arcabouços de conformidade, avaliações de risco — tenha tudo pronto. 

  • Pense em parceria, não em transação. Os dias de relações fintech de “acerta e sai correndo” acabaram. 

 

Resumo

Não posso concluir sem abordar o elefante na sala: a IA. Sim, ela já está nos ajudando a filtrar alertas, pontuar riscos e sinalizar anomalias. Mas sejamos claros — “IA por dentro” não é um passe livre. Governança agora é pré-requisito básico: objetivos documentados, controles de dados, validação humana no processo e testes independentes. O NIST AI Risk Management Framework oferece um roteiro prático nesse sentido. Para IA generativa, o perfil de 2024 do NIST é um complemento útil. (Publicações do NIST, NIST)  

 

Meu conselho?

Construa um checklist simples de controle de IA — propósito, dados de treinamento, limites de desempenho, monitoramento de desvio, caminhos de override, manutenção de registros. Se seu fornecedor não consegue responder claramente a essas perguntas, essa já é sua resposta.  

 


 

O futuro dos pagamentos transfronteiriços não será vencido apenas por bancos ou apenas por fintechs. Será vencido por quem descobrir como combinar a confiança e a infraestrutura do banking tradicional com a velocidade e a inovação da fintech — e sim, a inteligência da IA, devidamente governada. Os dados contam a história: 37% dos bancos viram impacto significativo das parcerias na produtividade de empréstimos, mas apenas 14% viram receita significativa de novos produtos. Essa lacuna? Essa é sua oportunidade. Como eu disse ao grupo em Miami, não existe um modelo único aqui. Mas a colaboração bem-sucedida depende de propósito compartilhado, limites claros e foco absoluto no cliente final. Os bancos que entendem isso não estão apenas sobrevivendo — estão se posicionando para dominar a próxima década das finanças internacionais. 

 

A tecnologia existe. A demanda é clara. A única pergunta é se bancos tradicionais e fintechs inovadoras conseguirão sair do próprio caminho tempo suficiente para aproveitar a oportunidade. Lembre-se: no mundo de hoje, você inova ou se torna irrelevante. Escolha com sabedoria. 

 

Este artigo reflete os insights da mesa-redonda da FIBA “Beyond Borders: Collaboration Between Banks and Fintechs to Modernize, Comply & Compete”, realizada em 1º de maio de 2025 em Miami, moderada por David Schwartz, com os painelistas Stephen Coburn (Ionfi/Avalo Labs), Jorge Valle (Banesco USA), Edgar Osuna (Iuvity) e Guillermo Benites (UDT). 

 

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